Centro Cultural de Ribeira Peixe

Construído em 1977, numa ação de junta-mão incentivada pelo diretor da empresa (antiga roça) Ribeira Peixe, senhor Alcântara, e com a colaboração de estudantes da cidade que na altura vieram para um Campo de Férias, o Centro Cultural da Ribeira Peixe desde o início tornou-se num importante recinto de convívio no sul da ilha. Não só oferecia espaço para atividades recreativas e de lazer aos habitantes da localidade, mas também atraia os moradores das localidades vizinhas devido a organização regular dos bailes, acompanhados por melhores conjuntos da altura.

Vários conjuntos tocaram aí, entre eles, África Negra, Sangazuza, Leonenses e o conjunto local, Onda Verde. A entrada para os bailes era aberta a todos os interessados, o pagamento era simbólico e não era exigida roupa elegante ou elaborada, como acontecia nalguns lugares na capital ou em maiores localidades. Tudo isto fez com que o espaço fosse frequentado por pessoas de várias condições económicas e de diferentes origens.

Há vários anos, o Centro encontra-se inativo e a sua manutenção deixou de ser feita o que levou a uma gradual degradação do espaço. Os habitantes mais velhos da Ribeira Peixe recordam com nostalgia os bailes que frequentavam nos anos 1980, sublinhando que nunca depois o convívio com a música ao vivo foi tão dinâmico e agradável.

As pinturas nas paredes, até agora visíveis apesar de nunca tivessem sido restauradas, foram, de acordo com os moradores da Ribeira Peixe, feitas pelos estudantes do Campo de Férias 1977.


Entrevistas

Entrevista 83.2020, Ribeira Peixe, 04.10.2020

Várias conversas em Ribeira Peixe e Monte Mário, setembro e outubro de 2020

Bibliografia

Bialoborska, Magdalena (2020b), “Panorama musical numa roça no sul de São Tomé: Ribeira Peixe antes e depois da independência”, Africana Studia, 34, pp.131-149.

Imagens

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