Banda de Música do Corpo de Polícia

As notícias sobre a banda de Música do Corpo de Polícia começam a aparecer no jornal A Voz de São Tomé em 1953, o ano indicado por Amado como a data da sua criação (Amado, 2010: 36).

Era a banda filarmónica muito ativa, dinâmica, apoiada pelo governo e cujas apresentações eram de agrado de um vasto público.

Em dezembro de 1953 a banda tocou três concertos enquadrados nas Festas da Cidade alusivas ao Dia de São Tomé, organizadas pelas Missões Católicas, Comando de Polícia, Administração do Concelho e Câmara Municipal. Naquele ano, os festejos decorreram no Jardim 28 de Maio e a banda do Corpo de Polícia tocou no dia 20, antecedendo o concurso de danças regionais [1], e, duas vezes, no dia 21. Logo pelas 6h de manhã tocou a alvorada e à noite abrilhantou os “festejos executando alguns trechos do seu interessante repertório no coreto Municipal” [2]. O número seguinte do jornal acrescenta um pormenor interessante, relatando o decorrer das festas: “a população assistiu à reposição das antigas festas da cidade, não faltando sequer a banda de música a animar o ambiente do arraial português” [3]. Realce-se a vontade de recriação das festividades da metrópole, sempre presente.

Em fevereiro de 1954, a Banda da Música do Corpo de Polícia voltou a tocar no Jardim 28 de Maio no domingo, dia 7. A notícia do jornal apresenta parcialmente o programa do concerto, em que – além de duas peças dos compositores estrangeiros [4] – foram apresentadas três músicas de autoria do chefe da banda, sargento músico Augusto Ferreira Viegas [5], e outras composições não especificadas [6]. Passadas duas semanas a banda tocou novamente no mesmo sítio [7], interpretando, também, as composições do chefe da banda [8], entrelaçadas com as peças dos outros compositores [9].

[A informação retirada de Bialoborska, 2020a]

 

[1] Sobre o concurso, infelizmente, não se encontram mais informações por isso não se consegue precisar quais as danças, naquela altura, compunham a categoria de “danças regionais”.

[2] A Voz de S. Tomé, 19.12.1953, Ano V, N 140, p.1.

[3] A Voz de S. Tomé, 26.12.1953, Ano V, N 141, p.1.

[4] “No Jardim de um Templo Chinês” fantasia oriental de Ketelbeertz e fantasia da zarzuela “La del Sotto del Parral” de Soutullo Vert (A Voz de S. Tomé, 6.02.1954, Ano V, N 145, p.4).

[5] Os títulos das composições do sargento A. F. Viegas não estão especificados, o que não permite comparar se se trata das mesmas músicas que foram apresentadas duas semanas depois ou de outras composições do chefe da banda.

[6] A Voz de S. Tomé, 6.02.1954, Ano V, N 145, p.4.

[7] A Voz de S. Tomé, 20.02.1954, Ano V, N 147, p.1.

[8] “Serão na Aldeia, Suite n.º 2 e canção “Mimo da Serra” (A Voz de S. Tomé, 20.02.1954, Ano V, N 147, p.1).

[9] “Alvalade”, Marcha Militar de A. Vilas de Sousa, “Fantasia da Zarzuela La Capitania” de Mariano San Miguel, “Fado 2.º” de Rey Colaço, “Cantos Populares” de Nicolau Junior, “Que Deus me Perdoe”, canção popular (a pedido) e Manuel dos Santos”, Passo Doble de autoria não especificada (A Voz de S. Tomé, 20.02.1954, Ano V, N 147, p.1).

 

Fontes

A Voz de S. Tomé

Bibliografia

Amado, Lúcio Neto (2010), Manifestações culturais são-tomenses. Apontamentos, comentários, reflexões, São Tomé, UNEAS.

Bialoborska, Magdalena (2020a), “Dêxa puíta sócó(m)pé. Música em São Tomé e Príncipe do colonialismo para independência”, tese de doutoramento, Lisboa, Iscte – Instituto Universitário de Lisboa.

 

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